quarta-feira, 13 de junho de 2012

Israel Carlos Biork - A obra do Espírito Santo

A PESSOA E OBRA DO ESPÍRITO SANTO

Israel Carlos Biork

Os pentecostais APELIDARAM, ORGULHOSA e PEJORATIVAMENTE, todas as denominações e igrejas evangélicas que não são pentecostais, de TRADICIONAIS. Vou falar sobre os dois, os PENTECOSTAIS e sobre os TRADICIONAIS.

Uma das causas (1) do grande mundanismo; (2) do grande esfriamento espiritual; (3) da falta de vida cristã genuina, bíblica, nas denominações e igrejas apelidadas de TRADICIONAIS; e, (4) pior ainda, da grande explosão do PENTECOSTALISMO no século XX, fazendo surgir centenas de novas igrejas locais e novas denominações, algumas evangélicas e outras heréticas, todas de linha pentecostal, foi o DESPREZO e a IGNORÂNCIA da OBRA do Espírito Santo. Os apelidados de TRADICIONAIS ignoram e desprezam a obra do Espírito, Os PENTECOSTAIS, muito embora falem muito em obra do Espírito, ignoram e desprezam do mesmo modo. Aliás, esta chamada obra do Espírito, tão propalada pelos pentecostais, tem sido uma das razões do grande divisionismo entre eles, criando pentecostais de todos os tipos e cores, desde os mais LEGALISTAS até os mais LIBERAIS, e centenas de outros tipos pelo meio, de tal modo que criou uma grande confusão no meio dos evangélicos.

TRADICIONAIS e PENTECOSTAIS ignoram e desprezam a obra do Espírito. Pretendo provar isto, dentro da Bíblia e na prática. Leia nos próximos editoriais deste boletim. Voce pode ajudar. Veja na Bíblia tudo, mas tudo mesmo, que ela diz sobre a PESSOA e OBRA de DEUS PAI; tudo que ela diz sobre a PESSOA e OBRA de DEUS FILHO; e tudo que ela diz sobre PESSOA e OBRA de DEUS ESPÍRITO SANTO. Voce notará uma grande diferença entre o que a Bíblia diz sobre a PESSOA e OBRA do Pai e do Filho, em relação ao que ela diz sobre a PESSOA e OBRA do Espírito.

(Igreja Batista Maranata, Rio Claro, 05/05/1985).

sábado, 28 de abril de 2012

Pastor C A Nickell: Síntese de Filipenses


Síntese da Carta aos Filipenses

Rev. C A Nickell



Escritor: Paulo,o apóstolo, 1.1. Timóteo é ligado com ele em 1.1.

Endereçada a quem: Todos os santos em Filipos, incluindo os diáconos e pastores 1.1.

Data: 63 ou 64 AD de Roma enquanto Paulo era prisioneiro (4.22; 1.13; Atos 28:16).

Propósito: 1) Agradecer os filipenses por seu interesse, orações e oferta que mandaram a ele. 2) Encorajar a Igreja , advertir contra os judaizantes (cap.3) e resolver a dissenção entre duas senhoras na igrej (cap. 4). Luck. N.B.: Observar como Paulo tenta a unificação: a) Ele recusa reconhecer duas partes assim, usa constantemente a palavra “todos”. b) Ele não repreende as mulheres, nem a elas faz referencias senão quase ao terminar a carta. Quão sábio foi este procedimento! c) Ao invés, e sobretudo sua humildade, mansidão e longanimidade. d) Exortações a uma urgente unidade 1.27; 2.1-3; 3.15-16; 4.2.

Versículo chave: 4.4

Palavras chave: Todos, 25 vezes; Alegria, 18 vezes

Coisas notáveis:

  1. Esta epístola deve ser apreciada, em particular, pelos gentios, porque foi escrita a primeira igreja organizada na Europa (Lee).
  2. A fundação dramática desta igreja se encontra em Atos 16. Os primeiros convertidos eram: Lídia – uma rica, uma moça escrava e um oficial do exército romano. O Evangelho atende todas as classes e raças de gente (Luck).
  3. Não sendo uma das mais profundas, é, contudo um dos escritos mais doces e suaves de Paulo. Através dessa carta vislumbramos o grande coração do apóstolo Lee).
  4. Não é nesta epístola, feito uma citação sequer do VT (Lee).
  5. É bom notar as circunstâncias do apóstolo quando ele escreveu esta carta. Estava preso em Roma, contudo ele venceu as circuntâncias na alegria do Senhor (CAN)
  6. Nesta epístola fala menos de censura e mais de louvor do que as outras (Lee).
  7. Resumiremos o tema da seguinte maneira: a alegria da vida e do serviço cristão manifestada em todas as circunstâncias (Pearlman).
  8. Filipenses 4.6-9 é o remédio para mentes poluídas com os pensamentos do mundo. Serve também para guardar as mentes puras (CAN).
  9. Uma parte de “Todas as coisas” de Romanos 8.28, para Paulo era a prisão – 1.12-13 (Orr).
  10. O padrão da nossa vida é, sem dúvida, o padrão da vida de Nosso Senhor, dado em 2.5-11. Primeiramente a humilhação; depois, a exaltação (Orr).

Jóias do livro:

  1. 1.6 – Não há tarefa incompleta com Deus
  2. 1.21 – Esta seja sua exaltação
  3. 1.29 – É privilégio sofrer por Ele
  4. 2.5 – Este é o mandamento
  5. 2.14 – Será?
  6. 3.8 – Somente uma coisa vale
  7. 3.20 – Cidadania dupla
  8. 4.4 – Note a palavra “sempre”
  9. 4.6,8 – Bom conselho para boa saúde
  10. 4.13 – Posso!
  11. 4.19 – Cheque em branco, assegurado por Deus

Pastor C A Nickell: Síntese de Gálatas

Clarence Anthrum Nickell (Pr. C A Nickell)



Verso-chave: 5.6
Palavras chaves: Lei (32 vezes); Fé (21 vezes); Liberdade.

Coisas notáveis:
1.História de Paulo detido pela doença, durante a sua segunda viagem missionária (Atos 16:6), pregou o Evangelho: Cristo crucificado (3:1) e que foi recebido como “anjo de Deus” (4:14). Estabeleceu uma Igreja ali (1:6) que lhe devotou ardente amor.
2.Gálatas é a proclamação da emancipação para todos os que estão na escravidão da Lei.
3.O verdadeiro problema na Galácia era o legalismo. Falsos mestres misturavam “Lei” e “Graça”. Paulo chamou isto de “outro evangelho” (1:7) e o condena sem rodeios.
4.O caráter dos Gálatas parece ser emocional, impulsivo e imutável. Atos 14:13-19.
5.Nesta epístola há um tom de estranho rigor. Paulo inicia sem uma palavra de louvor ou ação de graças.
6.Esta epístola tem efeito mais do que qualquer outro livro do Novo Testamento pela emancipação dos cristãos do judaísmo, romanismo e ritualismo.
7.Era a epístola preferida de Lutero e se tornou parte saliente na gloriosa Reforma sob os reformadores.
8.A doutrina da justificação pel fé, encontra-se aqui. Mas, enfaticamente do que nos outros livros. 1:16; 2:20; 4:6, 19.
9.Outro erro pode ser evitado quando lembramos que “cair da graça” é cair na Lei.
10.Gálatas é a resposta de Deus para os números cultos falsos os quais propõe uma mistura dos ensinos do Velho Testamento e do Novo.

(O autor destas notas as utilizou na disciplina de Síntese - no Seminário Batista Regular do Sul)

Pastor C A Nickell: Síntese Bíblica de Hebreus

Escritor: Desconhecido. Provavelmente Paulo.

Endereçada a quem: Um grupo de crentes judaicos (Como Tiago e I e II Pedro). O grupo era conhecido pelo escritor (Hebreus 5.11-12; 6:9-10 e 12:4).

Data: Cerca de 65 A.D. (Escrita de Roma 13:24)

Propósito: Apresentar Cristo como a preemente, completa e final revelação de Deus. Reprimir a apostasia dos judeus cristãos que tinham a intenção de voltar ao judaísmo (Pearlaman).

Versículo chave: 4.14

Palavras chave: “fé” 31 vezes – 24 no capítulo 11; “celestial” 16 vezes; “perfeição” 13 vezes; “superior” 13 vezes; “melhor” 12 vezes;

Coisas notáveis:

  1. Hebreus é o único livro que trata por completo o ministério sacerdotal de Cristo (Luck);
  2. Nenhum outro livro do NT contém tantas advertências. As palavras “para que não” ou equivalentes são usadas 7 vezes para apresentar o perigo (2:1; 3:12-13; 4:11; 12:3, 13, 15-16). A apostasia é mostrada como o pecado mais negro que alguém pode cometer (Orr);
  3. Hebreus é o livro maior da Bíblia para encorajar os crentes na fé, e para desafiá-los a “prosseguir” até a maturidade da perfeição (Orr);
  4. A superioridade de Cristo e o novo concerto baseado no Seu sangue é a base para encorajamento e advertência ao leitor. Aqueles que já estão instruídos e iluminados pelo Evangelho, mas ainda não aceitaram Cristo como Salvador são advertidos a não voltarem a trás, deixando de aceitar “tão grande salvação” (Luck);
  5. Oprimidos pelas tribulações presentes e pelo pensamento de adversidades futuras, cederam ao desânimo. Eles ficavam atrás no progresso espiritual (5:11-14); muitos estavam negligenciando o culto (10:24-25); muitos, cansados de andar pela fé, estavam olhando para o magnífico templo de Jerusalém, com seus sacrifícios e ritos imponentes. Havia a tentação de abandonar o cristianismo e voltar ao judaísmo. Para impedir esta apostasia, foi escrita esta epístola;
  6. Note-se a habilidade do escritor em tratar com esses cristãos desanimados e sem esperança. A) Primeiro, ele ocupa suas mentes com a glória da Pessoa e com a grandeza da Obra do Senhor Jesus Cristo; B) Refere-se, em seguida, ao fato de que ao invés de termos perdido tudo, ganhamos tudo (notar: “temos” em 4:14; 6:19; 8:1; 10:34; 13:10-14) e que seu cristianismo era superior ao judaismo. C) Mostra, depois, que não havia, até ali, sofrido como os outros. Coleridge mostra, de maneira belíssima, que, enquanto a epístola aos Romanos prova a necessidade da religião cristã, o objetivo de Hebreus é provar a sua superioridade. E isto, o autor demonstra, não em detrimento do Velho, mas revelando que o Novo é o cumprimento do Velho. Não se nega que tinham boas coisas no velho sistema, porém, era preciso concordar que, agora tinham tudo “melhor”. Esta epístola tem sido chamada de “O quinto Evangelho”. Os outros quatro falam da Sua obra na terra, e este fala da terra, mas também de Sua obra no céu.
(Estas notas eram utilizadas na disciplina de Síntese, do Seminário Batista Regular do Sul. Foram organizadas pelo missionário Clarence Anthrum Nickell, seu primeiro diretor).



terça-feira, 17 de abril de 2012

Formação teológica fundamentalista no Paraná

Seminário Batista Regular do Sul

1978 – 1982



Em 1978 o Seminário Batista Regular do Sul (SBRS em português e PBI em inglês) existia nas ideias dos casais de missionários, Clarence Anthrum Nickell Thelma Jane Nickell, George William Wells e Maxine Wells, Neal Marion Smith e Allice Grace Smith. Pastor Nilo foi o pioneiro do trabalho batista regular no Paraná e fundara em Curitiba a Igreja Batista Regular de Portão. O que havia era um terreno bem localizado, gramado e plano, em Vargem Grande, vila de Piraquara, arborizado, sem muitos vizinhos, apropriado para uma escola. Construiu-se uma pequena moradia no terreno onde Pastor C A Nickell e Dona Thelma residiram. Ao lado se construiu uma pequena meia água para guardar as ferramentas. Quando chegaram os primeiros alunos, as moças foram morar num anexo da casa dos missionários e os rapazes foram morar na meia água, que se chamava carinhosamente de “Shedd”. Provavelmente nos finais de 1978 a construção física começou. Pastor George Wells viera de Novo Hamburgo – RS e trouxera da Igreja Batista Maranata, o jovem Eugen Ziebel (Eugênio). Eugenio era um homem sarado, forte e tinha experiência em trabalhos pesados. Seria o primeiro aluno e a principal figura nas construções. Depois, também de Novo Hamburgo, veio Plínio Kremer, ex-militar da Aeronáutica, membro da Igreja Batista Maranata. Pastor George era mentor de uma tríade de rapazes, Plínio, Eugenio e Ernani Hermann, o último, já pastor em São Paulo e diretor da Imprensa Batista Regular. Dois outros alunos chegaram depois, um dos quais, Juraci José Maria, de Taboão da Serra – SP.

Em 1978, o jornal “O Batista Regular” da Associação das Igrejas Batistas Regulares passou a divulgar o início das aulas do SBRS em março de 1979, mesmo quando ainda as bases materiais da escola não haviam sido fixadas. O prédio e tudo estava por ser construído. Editaram um pequeno manual de 22 páginas dando o perfil do novo Seminário que a Associação Baptist Mid-Missions fundara em Curitiba.

Na prática, as atividades começaram em 28 de fevereiro de 1979, reservado às matrículas e ao trabalho na construção, no qual todos os alunos se veriam envolvidos. A chamada turma pioneira foi a que levantou o edíficio, suas futuras salas de aula. O SBRS cobrava por aluno Cr$ 800,00 por mês e era uma despesa elevada para as condições sócio-econômicas de cada um. Muitas vezes, os próprios missionários arrumavam serviços seus para os alunos a fim de que recebessem dinheiro para pagar suas despesas.

Chegaram também as meninas, que se formariam um ano antes, pois só podiam fazer o curso de Educação Cristã, cuja duração era de três anos. Vera, Maria Donizete Mafei, Francisca dos Santos, … foram as protagonistas. Com a chegada da ex-missionária da Missão Paulo de Tarso, Maria Zuila da Silva, as jovens postulandas ficaram sob seus cuidados. Em 1981 elas se formariam sob o som de “A grande marcha de Aída”, no pátio esportivo do SBRS.

O SBRS nasceu sob o forte movimento e signo do fundamentalismo batista, da euforia do dispensacionalismo e o sionismo internacional. O ensinamento do Seminário instituia um isolamento total das demais denominações protestantes, inclusive outras igrejas de comunhão batistas e mesmo a comunhão com a Igreja Batista Bíblica (Pastor Gary Tomberlain) era vista com certos cuidados. O regimento interno do Seminário era rigoroso, embora estas exigências não fossem levadas à sério pelos membros das igrejas e congregações batistas regulares locais. No Seminário não era permitido o uso de calças compridas pelas mulheres, mas nas igrejas, a coisa corria liberada.

As disciplinas eram trabalhadas pelos professores desta forma:

Trabalho Prático – Pastor Nickell; Evangelismo Pessoal – Pastor Nilo; Doutrina – Pastor George; Síntese – Pastor Nickell; Teoria de Música – Dona Alice; Introdução à Educação Cristã – Dona Thelma, mais tarde por John Thomas Burnete; Vida de Cristo – Pastor Nilo; Escola Dominical, Dona Thelma; Regência – Dona Thelma; Homilética – Pastor Wesley Monteiro; Geografia e Arqueologia – Pastor Nickell; Introdução Bíblica – Pastor Nilo; Governo dos Batistas – Pastor Nilo; História Eclesiástica – Pastor e historiador, Francisco de Almeida Araújo; Teologia Sistemática – Pastor George; História dos Batistas – Pastor Nilo; Teologia Pastoral – Pastor Nilo e Pastor Wesley; Religiões Comparadas – Pastor Wesley; Homilética – Pastor Wesley; Missões – Pastor Neal.
(segue)



terça-feira, 20 de março de 2012

Fundamentalismo protestante e Universalismo alexandrino: Russell Norman Champlin

A crítica de Jerry Leonard (Batista Regular) ao pensamento de Russell Norman Champlin
Caros pesquisadores: Coloco aqui a sua disposição um artigo publicado logo que saiu a primeira edição do NT Interpretado. Jerry Leonard era professor de grego no Seminário Batista do Cariri, pertencente às Igrejas Batistas Regulares do Brasil, e se trata de uma análise acadêmica. Muitas das objeções do Jerry Leonard são a força das posições filosóficas do Dr. Champlin e de muitos de nós. Também as reservas e o grande temor do erudito grego, são razões especificamente de vinculação e proteção do fundamentalismo brasileiro, especialmente de sua vertente pré-tribulacionista e calvinista. Em se tratando de um texto respeitoso com a figura e o porte do Dr. Champlin, disponibilizo aqui. Infelizmente não tenho a data da publicação, cautela que na época não tive em relação a metodologia científica e a referenciação. Acir da Cruz Camargo

Ponto de Vista Teológico

Obra monumental de 4.342 páginas, letras miúdas, seis volumes bem encadernados, “Versículo por Versículo” é a verdadeira atenuação desta obra exaustiva e enfadonha que trata de quase todas as palavras do Novo Testamento. Características valorosas inclui copiosa matéria introdutória: o texto grego completo e citações sem conta de mestres de todas as épocas e confissões. Contudo, a posição teológica do autor serve de impecilho insuperável para qualquer recomendação da obra, a não ser com sérias reservas. Nas mãos de leigos e obreiros não alertados há de ser muito perigosa. Champlin cita favoravelmente velhos modernistas, como E. Stanley Jones, e outros recentes como Paul Tillich. Suas crenças modernistas incluem: A rejeição do inferno literal e eterno: “Não honramos a Deus por fazer dEle o grande Destruidor de todos os séculos que queima pessoas como se fossem leitões assados, em uma imensa fornalha...” (Vol. 5, p. 230). Restauração além-túmulo: a. Do crente caído: “Essa restauração poderá ter lugar enquanto ele ainda vive na carne, ou, talvez, no além-túmulo, em alguma dimensão do mundo espiritual...” (Vol. 5, p. 105). b. Dos incrédulos: “No que concerne aos perdisos, antecipamos que haverá uma “restauração” em contraste com a redenção dos eleitos... Cristo será tudo para eles (os perdidos restaurados), a motivação, a alegria, e o propósito de sua existência.” (Vol. 5, p. 97). c. Dos anjos caídos: “Pressumimos que os anjos caídos poderão ser restaurados...” (Vol. 5, p. 97).
Erros na Bíblia: “...Aqui, como em muitos lugares, vemos os evangelhos diferindo entre si quanto a minúcias; e às vezes até se contradizem...” (Vol. 1, p. 714). Jesus errou: “Não é de modo algum impossível que Jesus, tal como a igreja primitiva após ele, tenha pensado em sua “vinda gloriosa” para estabelecer o reino” dentro em breve”...Nisso, naturalmente, ele foi desapontado, tal como foram seus discípulos.” (Vol. 1, p. 733). Rejeita a ressureição material: “Esse corpo ressurecto não será atômico ou material em qualquer sentido.” (Vol. 5, p. 205). Experiência humana como base de doutrina: “A experiência humana prova a realidade tanto da queda como da apostasia, de crentes antes genuínos.” (Vol. 5, p. 328). Champlin também abraça crenças místicas bem diferentes: A possibilidade de reencarnação: “Podemos imaginar como os perdidos poderiam ser envolvidos em muitas encarnações, como parte do seu “estado de perdição...provendo-lhes tempo para acharem a Cristo.” – Vol. 1, p. 730. A salvação além-túmulo: “Cristo desceu ao cárcere do hades a fim de pregar, as boas novas aos prisioneiros, para que sua situação fosse revertida e pudesse obter vida espiritual...não deveria ser tido como precedente? Seria estranho se alguma porção do seu ministério não tivesse resultados contínuos.” (Vol. 1, p. 211). Comunicação com os mortos: “Diversos exemplos bíblicos mostram que a comunicação com os mortos é algo que ocorre ocasionalmente.” (Vol. 1, p. 694). Espíritos soltos: “É razoável supor..que alguns demônios são espíritos humanos de baixo desenvolvimento, os quais, após a morte física, não foram para seu destino final...” (Vol. 1, p. 694) Sono da alma: “...é possível que alguns casos, após a morte física, a alma durma por um breve período, especialmente se a morte for violenta.” (Vol. 1, p. 585) O corpo como prisão da alma: “...esse alvo (a perfeição impecável) não será e nem poderá ser atingido enquanto a alma estiver cativa no corpo.” (Vol. 6, p. 257) Os teólogos da confissão calvinista não gostarão da grande ênfase de Champlin sobre o livre arbítrio do homem, nem do seu desprezo da doutrina da depravação total (Vol. 5, p. 297, 298), por exemplo). Os eruditos no grego ficarão perplexos que um comentário que salienta o texto original completo de modo geral não trata devidamente a força dos temos, dos artigos, e outros fatores sintáticos da língua grega. Nos estudos dos vocábulos Champlin faz melhor, e até faz contribuição valorosa, mas ainda é capaz de um fora como este: “Nenhuma diferença real pode ser demonstrada entre “filleo” e “agapao” no N.T., logo descobrimos que eram usados como sinônimos...” (Vol. 5, p. 168). Nas contribuições de valor estão incluídas a tradução e transsão dos cinqüenta argumentos de Walvoord a favor do arrebatamento pré-tribulacionista (Vol. 5, p. 303 ss). Os que não aceitam esta posição serão desapontados com a refutaçao fraquíssima que Champlin faz. Também tem numerosas citações e estudos de valor. Faz pena tão grande desperdício de tempo, erudição e dinheiro na publicação. Fosse uma obra ortodoxa seria grande bênção. Infelizmente trata-se antes de um grande perigo para as igrejas fundamentalistas do Brasil. Jerry Leonard, Seminário Batista do Cariri, Juazeiro do Norte – CE. Extraído de “O Batista do Cariri, p. 03 e 06

Teólogo alexandrino e filósofo brasileiro: Russell Norman Champlin

A filosofia no Brasil é pouco estudada. Um país cujos olhos sempre se voltaram a importação de teorias e conceitos, deixou de transmitir aos seus cidadãos o legado de pensadores importantes que construiram, em nossa terra, reflexão autônoma sobre os grandes problemas que afligem a sociedade mundial. Álvaro Vieira Pinto, Roland Albuquerque Corbisier, Gerd Bornheim e não menor, Russell Norman Champlin. Este último trocou o chão de sua pátria, afamada e respeitada no mundo, os Estados Unidos, pela cultura brasileira e aqui publicou seu pensamento. Não se pode falar que sua obra imensa esteja relegada. Incomoda e gera ferrenha oposição, mas a vida permite que ações negativas como esta tragam à tona a magnitude do pensamento de RUSSELL NORMAN CHAMPLIN e como isto constitui escola no círculo filosófico e religioso da América Latina. A maioria dos críticos de RUSSELL NORMAN CHAMPLIN se inscreve num círculo de pequenez intelectual, fanatismo religioso, Tribunal de Santo Oficio, militância seminarística onde pouca instrução racional se exige. Por isso, é sempre preconceituosa, inimiga dos estudos e do intelecto, pessoal e agressiva, invejosa e fechada, e nunca se concentra na análise das idéias e na profundidade da Filosofia e da Teologia. Dos criticos de RUSSELL NORMAN CHAMPLIN destacamos, Jerry Leonard, falecido missionário batista regular, e ex-diretor do Seminário Batista do Cariri, erudito e vinculado ao fundamentalismo daqueles tempos. Outro crítico, é o pastor batista convencional, Isaltino Gomes Coelho Filho, ex-diretor da Cruzada Mundial de Evangelização e da Faculdade Teológica Batista de Brasília, um intérprete amilenista das Escrituras Sagradas e não menos, do fundamentalismo religioso, parcela consentida dentro da Convenção Batista Brasileira. Na crítica de Isaltino já se percebe algum desvio do tom sério para a ingenuidade que domina maioria dos pastores, meros reprodutores do ensino teológico de nossas escolas, onde a capacidade de pensar com autonomia é vista com cautelas. O grande problema encontramos em listas de discussão da internet, patrocinadas pelo movimento fundamentalista brasileiro. Comprometidas com uma militância denominacional imensurável, com um farisaísmo danoso, confundindo Teologia com doutrinação de púlpito, advogando a preguiça acadêmica, e não necessidade de se estudar sistemática e livremente as Escrituras, colocando a pesquisa e a reflexão bíblica como pecados contra o Espírito Santo, desta forma contribuindo para o estado de ignorância em que se encontra nosso povo, nos segmentos da política, cultura, filosofia e religião, os tais tomam parcelas das afirmações e propostas de Champlin, para colocar toda sua obra num presídio religioso ou no index teologicum do protestantismo. Como lhes faltam argumentos teóricos, resta-lhes investir contra a pessoa do autor, desqualificando sua capacidade acadêmica, negando-lhe a titulação conquistada, por isso, igualando-o aos detratores, fica-lhes mais fácil afastar os estudantes de sua leitura. Na internet, a lista de discussão “Grata Nova” e o jovem pastor batista convencional, cheio de militarismo e revolucionarismo juvenil, emitem juízos de valores que premiam a ignorância e vão de encontro ao princípio do crescer em sabedoria, das Escrituras, difama, com a mais absoluta falta de provas, a pessoa do autor de “O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo”. Em face disto, da apologética caminha sem freios para a maledicência.
Russell Norman Champlin é Bacharel em Literatura Bíblica pelo Immanuel College (College em inglês significa Faculdade) da Universidade de Utah. O autor destas linhas tem acesso aos documentos orignais da titulação do Dr. Champlin em seus arquivos pessoais. Possui o Mestrado em Artes, pela mesma Universidade de Chicago (The University of Chicago) com documento assinado e registrado naquela instituição por Maxine Sullivan, em 1967. Defendeu tese de doutorado na Universidade de Utah, em 1964, sob a orientação do grande pensador J. Geerlings. Professor Auxiliar de Ensino no Centro Técnico Aeroespacial, do Ministério da Aeronáutica, desde 1968 até 1971, informação baseada em documento do próprio Ministério, em junho de 1998. Foi professor regente na Faculdade de Engenharia de Guaritinguetá, SP, em 1971. Esta mais tarde foi incorporada à UNESP. Lecionou também na Fundação Valeparaibana de Ensino de São José dos Campos, em 1969. Tudo isto, comprovado em documentos do Ministério do Trabalho. Professor Assistente Doutor do Departamento de Produção da Faculdade de Engenharia/UNESP/Campus de Guaratinguetá, desde 1969 até 1999, onde se aposentou, conforme declara em documento, o diretor daquela instituição, Fernando Augusto Silva Marins. Os detratores de Champlin nunca leram o Parecer 752/1971 do Conselho Federal de Educação que deu pleno reconhecimento a todos os títulos apresentados por Champlin, autorizando-o a lecionar em qualquer instituição federal, como professor. “Pode ser aceito”. A UNESP de Araraquara, em 1986, aceitou o pedido de equivalência do doutorado do Dr. Russell Norman Champlin, feito no Departamento de Línguas da Universidade de Utah em 1964 sob o título “Reconstrucion of the Family II (pi) in Matew. Intelectual não pedante, humilde e hospitaleiro, Champlin é compreensivo com seus adversários. Evoca os seus tempos de juventude e fanatismo. Conta que certa vez seus colegas de seminário resolveram receber um missionário presbiteriano com hostilidade. Antes que ele tomasse o púlpito para falar sobre seu trabalho na Índia, Champlin e amigos haviam inundado o local com panfletos contra o conferencista. Evidentemente, Champlin está acima de seus críticos e não deseja dar-lhes resposta, porque a volumosa obra que escreveu o faz isto. Atualmente, se empenha em um comentário sintético das Escrituras Sagradas, se encontrando no livro de Provérbios. Mesmo mal compreendido, é um homem que ama os pregadores das Sagradas Escrituras, mesmo tendo passado desse estágio. Champlin foi batista e veio ao Brasil, com sua esposa Irene, e como missionário permaneceu em Manaus de 1957 a 1960. Homem de temperamento introspectivo, tímido, encerrou ali sua atividade como religioso para dedicar-se e contribuir não apenas ao povo evangélico, mas a cultura brasileira, como Filósofo da Linguagem e da religião. Sua contribuição seria o Novo Testamento Interpretado e seus tantos outros livros. A obra de RUSSELL NORMAN CHAMPLIN foi discutida na Revista Brasileira de Filosofia, pelo nada menor, filósofo Leonidas Hegenberg. (Acir da Cruz Camargo)